nov 7 2011
Poderão engenheiros e qualquer outro “nerd” de informática ter tendências Autistas?
A mente de um génio?
Simon Baron-Cohen, um investigador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, acha que sim. Durante quinze anos de carreira, Baron-Cohen conduziu estudos sobre o autismo e as doenças relacionadas com esta condição, encontrando ligações e afinidades com resultados de testes efectuados em membros da comunidade tecnológica. Em resumo, Baron-Cohen acredita que a maior parte dos entusiastas do mundo das ciências, não só de tecnologia mas também de muitas outras areas, possuem sintomas muito leves de autismo; o denominado Sindroma de Asperger. Estas caracteristicas consistem numa aptitude natural para as matemáticas e tarefas analíticas que permitem á pessoa descobrir, entender e, fundamentalmente, criar sistemas complexos. Porém, muitas vezes, estas habilidades acima da média estão acompanhadas por outos traços tipicamente associados á comunidade “nerd”: o perfil anti-social e a falta de capacidades de comunicação social e entendimento geral com outras pessoas.
É neste ponto que a teoria de Cohen ganha a sua força; ele acredita que pessoas com estes leves traços autisticos podem levar a uma descendência cada vez mais influenciada pelos genes responsáveis pela condição mais severa se se reproduzirem. Novamente, temos de entender que este tipo de conclusões parece extremamente sensacionalista e éticamente perigoso, o que não facilita a vida a Cohen que admite: “Tem havido dificuldade em replicar os meus resultados, pois poucos são os estudos com rigor para tal.” e que, graças a este facto, as pessoas devem permanecer “…de mente aberta ás interpretações desta hipótese, até haver provas mais sólidas de maneira a permitir uma análise mais objectiva.”
Porém, há quem diga que o mal já foi feito. Todos conhecemos os antigos esteréotipos que existem sobre os informáticos e outros “nerds/geeks”, que são brilhantes com a tecnologia mas que falham redondamente na vida em sociedade. Porém, todos temos de admitir, tais conclusões são perfeitamente lógicas e, como defende Baron-Cohen, possivelmente verdade. Nas palavras de Bryna Siegal, uma psicóloga clínica que gere a Clinica para Autismo na Univerdade da Califórnia, sediada em São Francisco, “Típicamente vejo “nerds” de todos os géneros. Todos exibem os traços clássicos; não fazem grande contacto visual, toda a roupa deles é á base das lojas da Intel, possuem pouco a nenhum entendimento social, entre outros. Eu acredito que, quando pessoas com estas particularidades se casam e se reproduzem, isto geralmente indica más noticias para a descendência.”
No entanto, crédito deve ser prestado aos críticos desta teoria. Nada está provado, e as provas que existem são apenas circunstanciais. Será que as pessoas que avançam a nossa tecnologia e ciência realmente são diferentes das pessoas comuns? E se sim, o que isto poderá dizer sobre a natureza do campo cientifico e da própria natureza humana?
[technoportugal]


