Eu não quero iPhone, só quero Android

Gostar da Apple não significa comprar tudo o que ela faz

por Daniel Pavani (@dpavani)*

Para começar, quero deixar claro que não vou entrar na enfadonha disputa Apple versus Google ou iOS contra Android. E antes da crucificação, afirmo que tenho um MacBook, um iPod touch, um computador Linux, um Android Milestone 2 e – minha mais recente aquisição – um iPad 2. Aliás, este último comprei em detrimento de um Motorola Xoom, o que reforça minha tese de que não sou um representante de nenhuma das partes.

O iPhone é um excelente smartphone. O tocador de música do iOS é, talvez, o melhor que existe; ele é um dos aparelhos mais bonitos que existem, se não o mais bonito; o iOS é simples e de fácil entendimento e configuração; a quantidade de aplicativos é absurda. Em resumo, ele funciona muito bem. Realmente acho que o iPhone é um aparelho fantástico.

Bom, mas se eu gosto tanto assim, por que eu não comprei – e nem pretendo adquirir um?

Não é a questão do preço, afinal, o Milestone não é um aparelho barato (mas pelo menos, não é tão conhecido como o iPhone, que eu não teria coragem de ficar mostrando por aí). O que pega, no meu caso, é a dependência do iTunes. Tudo bem, isso deve diminuir com a chegada do iOS 5, mas, ainda assim, para sincronizar fotos, músicas e documentos, você precisa do iTunes, caso ainda não seja muito fã da nuvem (leia-se, iCloud). No Android, basta ligar o aparelho a uma porta USB e, voilá, você tem acesso às pastas do cartão de memória. Tudo bem, eu sei que com o jailbreak isso também é possível. Mas só assim.

Outra razão: widgets! Ter informações como condições do tempo, tocador de música, novas mensagens e emails, calendário, controle de energia ou redes sociais diretamente na tela de início é algo fundamental para a minha produtividade. Além disso, a possibilidade de personalizar o Android é muito grande, com diversos launchers (espécie de gerenciadores de tela de início) disponíveis no Android Market.

Outra coisa “chata” é comprar games na App Store, pelo menos para nós, brasileiros. Claro que existem algumas maneiras para isso, mas todas são “gambiarras”. Na loja brasileira, não há jogos (por um problema com nossa legislação), na loja americana, onde estão os jogos, cartões brasileiros, mesmo que internacionais, não são aceitos. O que sobra? App Store da Argentina (pelo menos foi essa a minha saída para o iPad). No Android Market, cartões brasileiros são aceitos e as compras são rápidas, inclusive com a possibilidade de 15 minutos de teste, dentro dos quais podemos devolver o aplicativo, caso não gostemos.

Por fim, a integração dos serviços Google (Gmail, Calendar, Docs, Reader) no celular é algo realmente muito prático. Por causa dessas razões, não sou Android nem iOS, nem Google nem Apple, apenas gosto do que gosto. Para tablets, preferi um iPad mas, para smartphones, ainda não troco meu Android por um iPhone.

*Editorial originalmente publicado na MAC+ 64.

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