mar 10 2009
NetBooks chegaram pra ficar?

Tirei essa foto ruim (a câmera do E71 realmente é meia-boca) ontem, quando estava no avião, pouco antes de uma turbulência absurda. Hummm… Será que foi culpa do meu celular ligado? Bom, o que ela mostra: um cara editando uma apresentação chata num netbook, enquanto o cara da frente pensava em outra apresentação chata, mas num notebook bem bonito e com tela grande. Curiosamente, eu lia uma genial reportagem da Wired sobre netbooks (é das poucas revistas que compro ainda). Diz o autor, Clive Thompson:
“Por anos, sem ninguém realmente perceber, a indústria de PCs tem funcionado como uma empresa automobilística fabricando SUVs: empurrando máquinas absurdamente poderosas porque as margens de lucro eram altas, enquanto os consumidores compravam a fantasia de que poderiam andar no meio das trilhas, no mato, apesar de nunca terem o feito. Então os programadores usaram essa sobra de poder de processamento para fazer aplicativos e sistemas operacionais que consumiam cada vez mais. O que os fabricantes de netbooks fizeram, na real, foi voltar o relógio. Suas máquinas têm a mesma performance de laptops de 4 anos atrás. Só que, a gente percebe agora, que 4 anos atrás não faz muita diferença”.
Thompson diz que tem dois ícones no seu Netbook, usado para escrever a matéria: a lixeira e o Firefox. Ele consegue fazer quase tudo no browser. Músicas no last.fm, IM no Meebo.com, edição de textos no Google Docs, imagens no Fotoflexer… A tal da nuvem. Falando nela, o cara da Wired nota como os netbooks fizeram a Microsoft voltar atrás na decisão de aposentar o XP, preferindo ganhar apenas US$ 15 por sistema embarcado nos pequeninos. Dado o novo cenário, fazer com que o Windows 7 seja compatível com sistemas menos parrudos é prioridade.
E é engraçado isso. Ano passado eu escrevi pra um especial de tecnologia da Superinteressante um artigo chamado “o fim do notebook”. Mais para começar o debate. Porque para mim, na real, o fato de as pessoas se contentarem com os Eee PCs, MSI Wind e Mobos (7% do mercado de laptops, 15 milhões de unidades) mostram que elas precisam sequer de um computador. “Esqueça a placa mãe. Por que não fazer logo uma telinha e um chip de rádio de 2 ou 5 dólares?” Sim. Porque, no futuro, até o processamento estará na rede. A AMD está trabalhando em uma fazenda de servidores (server farm é mais charmoso) que irá rodar os jogos high end, transmitindo o visual e recebendo os controles de unidades portáteis. “Agora imagine você com servidores rodando Crysis, e mandando por stream para um iPhone ou netbook, onde estaria rodando um programa apenas com os vetores que permitem você navegar o jogo ”

Tudo isso é para perguntar a vocês: um netbook, com uma tela de 7 ou 9 polegadas, HD SSD e Linux (ou XP) é suficiente para suas necessidades? Você concorda que o povo comprou poder de processamento demais sem ter muito uso? Ou a sua máquina PRECISA rodar Crysis e só perdedores como eu acreditam que comprar um videogame é mais barato que manter um computador atualizadíssimo? Os netbooks são moda ou vão mudar? O Ronaldo vai emagrecer mais? Vamos conversar nos comentários.

mar 21, 2010 @ 14:32:45
E os HDs, memórias e clocks de processador que subiam de capacidade mês a mês desde os anos 90, agora começam a diminuir o ritmo e até começam a cair, como acontece com os Netbooks. E falando em videogames, eu já discutia com galera de um fórum ali que o fim da pirataria se dará quando estivermos acessando jogos 100% online (ae depois esse conceito apareceu nas notícias do mundo com um nome, nuvem). Voltaremos todo mundo para os “terminais burros” que abrem um básico na sua tela e os “provedores” de aplicações se tornam os novos latifundiários e se viram com suas fazendas, enquanto a gente só come a fruta pronta. Legal isso, filmes como Matrix levam isso láááááá na frente, afinal. A dúvida é como vamos pagar por tudo isso… com mais mensalidades a débito na conta-corrente ou com overdose de propaganda na nossa cara?